O Colágeno deixou de ser “modinha” para se tornar tema de estudo sério em nutrição e dermatologia, com ensaios clínicos avaliando seus efeitos na pele e nas articulações. Ainda assim, muita gente consome sem entender como ele age, qual tipo faz sentido e o que esperar de resultados.

Neste post, o foco é menos na bioquímica detalhada e mais em como transformar ciência em escolhas inteligentes no dia a dia.

O que o colágeno realmente faz no corpo

  • O colágeno é a principal proteína estrutural da matriz extracelular, ajudando a dar firmeza, elasticidade e resistência à pele, ossos, cartilagens, tendões e ligamentos.
  • No nível celular, os fragmentos de colágeno se ligam a receptores em fibroblastos, modulando crescimento, migração e produção de nova matriz, o que impacta diretamente processos de reparo tecidual e regeneração.

Com o envelhecimento, a produção endógena cai, a matriz se desorganiza e isso se traduz em perda de firmeza da pele e maior desgaste articular.

Colágeno hidrolisado: por que ele é diferente

  • O colágeno “inteiro” é uma proteína grande, em tripla hélice, de difícil digestão e absorção; por isso, a indústria passou a usar o colágeno hidrolisado (peptídeos de colágeno), em que enzimas quebram a proteína em fragmentos menores.
  • Esses peptídeos têm baixo peso molecular e maior biodisponibilidade, alcançando tecidos-alvo e atuando como um “sinal” para que fibroblastos produzam mais colágeno e outros componentes da matriz.

Revisões indicam que peptídeos de menor peso molecular tendem a ter melhor aproveitamento pelos tecidos, o que ajuda a explicar por que nem todo colágeno do mercado é igual em termos de qualidade.

Benefícios com respaldo científico (e limites)

Pele

  • Estudos em adultos mostram que a ingestão de colágeno hidrolisado por cerca de 90 dias pode melhorar hidratação, elasticidade e reduzir a profundidade de rugas, com resultados modestos, porém consistentes, principalmente em mulheres.
  • Também há evidências de melhora na densidade da pele e em marcadores de envelhecimento cutâneo, embora o efeito não substitua proteção solar, alimentação equilibrada e sono adequado.

Articulações e tecidos de suporte

  • Ensaios clínicos apontam redução de dor articular e melhora de função em pessoas com desgaste ou dor crônica, com maior benefício em protocolos de uso contínuo (semanas a meses).
  • A suplementação pode favorecer a síntese de colágeno em cartilagem e ossos e, em alguns contextos, ter papel coadjuvante em processos inflamatórios, mas não substitui acompanhamento médico ou fisioterapêutico quando há doença instalada.

Em resumo: há evidências interessantes, mas colágeno é um coadjuvante dentro de um contexto de cuidados de saúde, não uma solução milagrosa isolada.

Como escolher um suplemento de colágeno de forma consciente

Em vez de olhar apenas para “quantos gramas por dose”, vale observar alguns pontos que fazem diferença na prática:

  • Tipo e origem: colágeno hidrolisado (peptídeos) de origem bovina, suína ou marinha são os mais usados; a fonte e o método de hidrólise influenciam sabor, solubilidade e perfil de peptídeos bioativos.
  • Peso molecular e qualidade: produtos que informam baixo peso molecular (em torno de poucos kDa) e utilizam matérias-primas padronizadas tendem a ter melhor evidência de biodisponibilidade.
  • Composição do rótulo: combinar colágeno com vitamina C e outros cofatores envolvidos na síntese de colágeno pode ser interessante, desde que a formulação não se apoie em promessas exageradas sem respaldo científico.

Mais importante do que “tomar qualquer colágeno” é entender o que o produto entrega, qual objetivo você tem (pele, articulação, performance, composição corporal) e alinhar suas expectativas com o que a ciência realmente mostra.

Colágeno, bem-estar e escolhas inteligentes

Colágeno não é um passe livre para descuidar do básico: alimentação, sono, movimento, exposição solar controlada e manejo de estresse. Ele pode ser um aliado dentro de um plano de autocuidado, especialmente para quem já cuida desses pilares.

Na roohtine, bem-estar começa com informação clara e respeito à ciência. Por isso, as decisões de formulação consideram não só “o que está em alta”, mas também o que tem plausibilidade biológica e evidência de benefício real para o corpo.

Referências científicas

  • Inacio, P.A.Q. et al. (2024). Effects of Hydrolyzed Collagen as a Dietary Supplement on Fibroblast Activation: A Systematic Review. Nutrients, 16(11), 1543. https://doi.org/10.3390/nu16111543
  • Asserin, J. et al. (2015). The effect of oral collagen peptide supplementation on skin hydration and dermal collagen network: evidence from clinical studies. Journal of Cosmetic Dermatology, 14(4), 291–301.
  • Sibilla, S. et al. (2015). An overview of the beneficial effects of hydrolyzed collagen as a nutraceutical on skin properties. Journal of Medicinal Food, 18(12), 1340–1349.